Motu proprio Summorum Pontificum

Salve Maria,


Para a 15ª postagem da série trago agora uma coisa que foi esperada por muitos durante muito tempo, o "Motu propio Summorum Pontificum", no qual Sua Santidade o Papa Bento XVI, permite que qualquer padre celebre a Santa Missa Tridentina. Boa leitura.

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Papa Bento XVI

Sempre foi preocupação dos Sumos Pontífices até o tempo presente, que a Igreja de Cristo ofereça um culto digno à Divina Majestade "para louvor e glória de seu nome" e "para nosso bem e o de toda sua Santa Igreja".

Desde tempos imemoriais até o futuro deve ser respeitado o princípio "segundo o qual cada Igreja particular deve estar de acordo com a Igreja universal não só sobre a doutrina da fé e os sinais sacramentais, mas nos usos universalmente transmitidos pela tradição apostólica contínua. Estes devem manter-se não só para evitar os enganos, mas também para que a fé seja transmitida em sua integridade, já que a regra de oração da Igreja (lex orandi) corresponde a sua regra da fé (lex credendi)." (1)

Entre os Pontífices que expressaram tal preocupação destacam os nomes de São Gregório Magno, quem se preocupou com a transmissão aos novos povos da Europa tanto a fé Católica como os tesouros do culto e a cultura acumulados pelos romanos durante os séculos precedentes. Temos instruções para a forma da Sagrada Liturgia tanto do Sacrifício da Missa como do Ofício Divino tal como eram celebrados na Cidade. Ele fez grandes esforços para promover monges e monjas, que militavam sob a Regra de São Bento, em todo lugar junto com a proclamação do Evangelho para que suas vidas igualmente exemplificassem aquela tão saudável expressão da regra "Nada, pois, antepor-se à Obra de Deus" (capítulo 43). Desta maneira a Sagrada liturgia segundo a maneira romana fez fértil não só a fé e a piedade, mas a cultura de muitos povos. Mais ainda é evidente que a Liturgia Latina em suas diversas formas estimulou a vida espiritual de muitíssimos Santos em cada século da Era Cristã e fortalecido na virtude da religião a tantos povos e fazendo fértil sua piedade.

Entretanto, com o fim que a Sagrada Liturgia possa de modo mais eficaz cumprir com sua missão, muitos outros Romanos Pontífices no curso dos séculos vieram a expressar particular preocupação, entre eles São Pio V é eminente, quem com grande zelo pastoral, segundo a exortação do Concílio de Trento, renovou o culto em toda a Igreja, assegurando a publicação de livros litúrgicos corrigidos e "restaurados segundo as normas dos Pais" e os pôs em uso na Igreja Latina.

É evidente que entre os livros litúrgicos de Rito Romano o Missal Romano é eminente. Nasceu na cidade de Roma e gradualmente ao longo dos séculos tomou formas que são muito similares a aquelas em vigor em recentes gerações.

"Este mesmo objetivo foi açoitado pelos Romanos Pontífices ao longo dos séculos seguintes, assegurando a colocação em dia, definindo os ritos e os livros litúrgicos, e empreendendo, do começo deste século, uma reforma mais geral". (2) Foi desta forma em que atuaram nossos Predecessores Clemente VIII, Urbano VIII, São Pio X (3), Bento XV, Pio XII e o Beato João XXIII.

Mais recentemente, entretanto, o Concílio Vaticano Segundo expressou o desejo de que com o devido respeito e reverência pela divina liturgia esta fora restaurada e adaptada às necessidades de nossa época.

Impulsionado por este desejo, nosso Predecessor o Sumo Pontífice Paulo VI em 1970 aprovou para a liturgia da Igreja Latina livros restaurados e parcialmente renovados, e que ao redor do mundo foram traduzidos em diversas línguas vernáculas, foram acolhidos pelos Bispos e pelos sacerdotes e fiéis. João Paulo II revisou a terceira edição típica do Missal Romano. Desta maneira os Romanos Pontífices atuaram para que "este edifício litúrgico, por assim dizer,...volte outra vez a aparecer esplêndido em sua dignidade e harmonia". (4)

Entretanto, em algumas regiões, um número não pequeno de fiéis estiveram e permanecem aderidos com tão grande amor e afeto às formas litúrgicas prévias, e imbuíram profundamente sua cultura e espírito, que o Sumo Pontífice João Paulo II, movido pela preocupação pastoral por estes fiéis, em 1984 mediante um indulto especial Quattuor abhinc annos, desenhado pela Congregação para a Liturgia Divina, outorgou a faculdade para o uso do Missal Romano publicado por João XXIII em 1962; enquanto que em 1988 João Paulo II uma vez mais, mediante o Motu Proprio Ecclesia Dei, exortou aos Bispos a fazer um uso mais amplo e generoso desta faculdade em favor de todos os fiéis que o solicitem.

Tendo ponderado amplamente os insistentes pedidos destes fiéis a nosso Predecessor João Paulo II, tendo escutado também os Padres do Consistório de Cardeais realizado em 23 de março de 2006, tendo sopesado todos os elementos, invocado o Espírito Santo e pondo nossa confiança no auxílio de Deus, pela presente Carta Apostólica, DECRETAMOS o seguinte:

Art. 1. O Missal Romano promulgado por Paulo VI deve ser considerado como a expressão ordinária da lei da oração (lex orandi) da Igreja Católica de Rito Romano, enquanto que o Missal Romano promulgado por São Pio V e publicado novamente pelo Beato João XXIII como a expressão extraordinária da lei da oração ( lex orandi) e em razão de seu venerável e antigo uso goze da devida honra. Estas duas expressões da lei da oração (lex orandi) da Igreja de maneira nenhuma levam a uma divisão na lei da oração (lex orandi ) da Igreja, pois são dois usos do único Rito Romano.
Portanto, é lícito celebrar o Sacrifício da Missa de acordo com a edição típica do Missal Romano promulgado pelo Beato João XXIII em 1962 e nunca anulado, como a forma extraordinária da Liturgia da Igreja. Estas condições estabelecidas pelos documentos prévios Quattuor abhinc annos e Ecclesia Dei para o uso deste Missal são substituídas pelas seguintes:

Art. 2. Em Missas celebradas sem o povo, qualquer sacerdote de Rito Latino, seja secular ou religioso, pode usar o Missal Romano publicado pelo Beato João XXIII em 1962 ou o Missal Romano promulgado pelo Sumo Pontífice Paulo VI em 1970, qualquer dia exceto no Sagrado Tríduo. Para a celebração segundo um ou outro Missal, um sacerdote não requer de nenhuma permissão, nem da Sé Apostólica nem de seu Ordinário.

Art. 3. Se Comunidades ou Institutos de Vida Consagrada ou Sociedades de Vida Apostólica de direito pontifício ou diocesano desejam ter uma celebração da Santa Missa segundo a edição do Missal Romano promulgado em 1962 em uma celebração conventual ou comunitária em seus próprios oratórios, isto está permitido. Se uma comunidade individual ou todo o Instituto ou Sociedade desejam ter tais celebrações freqüente ou habitualmente ou permanentemente, o assunto deve ser decidido pelos Superiores Maiores segundo as normas da lei e das leis e estatutos particulares.

Art. 4. Com a devida observância da lei, inclusive os fiéis Cristãos que espontaneamente o solicitem, podem ser admitidos à Santa Missa mencionada no art. 2.

Art. 5, § 1. Em paróquias onde um grupo de fiéis aderidos à prévia tradição litúrgica existe de maneira estável, que o pároco aceite seus pedidos para a celebração da Santa Missa de acordo ao rito do Missal Romano publicado em 1962. Que o pároco vigie que o bem destes fiéis esteja harmoniosamente reconciliado com o cuidado pastoral ordinário da paróquia, sob o governo do Bispo e segundo o Canon 392, evitando discórdias e promovendo a unidade de toda a Igreja.

§ 2. A celebração segundo o Missal do Beato João XXIII pode realizar-se durante os dias de semana, enquanto que aos Domingos e dias de festa deve haver só uma destas celebrações.

§ 3. Que o pároco permita celebrações desta forma extraordinária para fiéis ou sacerdotes que o peçam, inclusive em circunstâncias particulares tais como matrimônios, funerais ou celebrações ocasionais, como por exemplo peregrinações.

§ 4. Os sacerdotes que usem o Missal do Beato João XXIII devem ser dignos e não impedidos canonicamente.

§ 5. Nas Igrejas que não são nem paroquiais nem conventuais, é o Reitor da Igreja quem concede a permissão acima mencionada.

Art. 6. Nas Missas celebradas com o povo segundo o Missal do Beato João XXIII, as Leituras podem ser proclamadas inclusive nas línguas vernáculas, utilizando edições que tenham recebido a recognitio da Sé Apostólica.

Art. 7. Onde um grupo de fiéis laicos, mencionados no art. 5§1 não obtém o que solicita do pároco, deve informar ao Bispo diocesano do fato. Ao Bispo lhe solicita seriamente aceder a seu desejo. Se não puder prover este tipo de celebração, que o assunto seja referido à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei.

Art. 8. O Bispo que deseje estabelecer provisões para os pedidos dos fiéis laicos deste tipo, mas que por diversas razões se vê impedido de fazê-lo, pode referir o assunto à Pontifícia Comissão "Ecclesia Dei", que deveria proporcionar conselho e ajuda.

Art. 9, § 1. Da mesma forma um pároco pode, uma vez considerados todos os elementos, dar permissão para o uso do ritual mais antigo na administração dos sacramentos do Batismo, Matrimônio, Penitência e Unção dos Enfermos, conforme sugira o bem das almas.

§ 2. Concede-se aos Ordinários a faculdade de celebrar o sacramento da Confirmação utilizando o anterior Missal Romano, conforme sugira o bem das almas.

§ 3. É lícito para sacerdotes em sagradas ordens usar o Breviário Romano promulgado pelo Beato João XXIII em 1962.

Art. 10. É lícito que o Ordinário local, se o considerar oportuno, erija uma paróquia pessoal segundo as normas do Canon 518 para as celebrações segundo a forma anterior do Rito Romano ou nomear um reitor ou capelão, com a devida observância dos requisitos canônicos.

Art. 11. Que a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, ereta em 1988 por João Paulo II, (5) siga levando adiante sua função. Esta Comissão deve ter a forma, tarefas e normas de ação que o Romano Pontífice deseje atribuir.

Art. 12. A mesma Comissão, em adição às faculdades das que atualmente goza, exercerá a autoridade da Santa Sé para manter a vigilância sobre a observância e aplicação destas disposições.
Tudo o que é decretado por Nós mediante este Motu Proprio, ordenamos que seja assinado e ratificado para ser observado a partir de 14 de Setembro deste ano, festa da Exaltação da Santa Cruz, em que pese a todas as coisas em contrário.

Dado em Roma, junto a São Pedro, em 7 de julho no Ano do Senhor de 2007, Terceiro de nosso Pontificado.
Bento XVI

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*Tradução não-oficial, somente a versão em latim pode ser considerada como original
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NOTAS

1 Instrução Geral do Missal Romano, terceira edição, 2002, N. 397
2 Papa João Paulo II, Carta Apostólica Vicesimus quintus annus, 4 de Dezembro de 1988, N. 3: AAS 81 (1989) P. 899.
3 Ibidem.
4 O Papa São Pio X, Motu Proprio Abhinc duos annos, 23 de Outubro de 1913: AAS 5 (1913) 449-450; cf. O Papa João Paulo II, Ap. Carta Vicesimus quintus annus, 4 Dezembro de 1988,11. 3: AAS 81 (1989) P. 899.
5 Cf. O Papa João Paulo II, Motu proprio Ecclesia Dei adflicta, 2 de Julho de 1988, N. 6: AAS 80 (1988) P. 1498.

São Pedro Julião Eymard

Salve Maria,

Para a 14ª postagem da série trago agora - em homenagem à Sociedade Servos da Eucaristia (da qual eu farei parte daqui alguns dias) - uma breve história de um grande santo da Santa Igreja: São Pedro Julião Eymard. Boa leitura.
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São Pedro Julião Eymard
(1811-1868)


Nasceu em Esère, França, em 4 de fevereiro de 1811, filho do segundo casamento de um comerciante viúvo. Pedro Julião marcou toda a Igreja com o verdadeiro culto a Jesus Eucarístico. São Pedro Julião Eymard pertencia a uma família tão religiosa que a própria mãe o levava diariamente na Igreja para receber a benção do Santíssimo. Certa vez o menino de cinco anos desapareceu de casa e quando o procuraram na igreja encontraram Pedro diante do sacrário com esta resposta lábios: "Estou falando com Jesus".

Foi à luz do Cristo Eucarístico que Pedro Julião descobriu sua vocação ao sacerdócio, a qual concretizou-se depois vencer as oposições do pai, tornando-se assim um padre secular e mais tarde religioso na Congregação dos Maristas. Como sacerdote secular foi zelosíssimo, a ponto de ser comparado ao Cura d'Ars. Passou, a seguir, 17 anos como religioso na Sociedade de Maria, chegando a ocupar cargos dos mais altos nessa família religiosa.

Padre Eymard já notava que havia um certo distanciamento do povo da Igreja. Algo precisava ser feito. Rezou muito, pediu conselhos aos superiores e para o próprio papa Pio IX. Entretanto, percebeu que por meio do Instituto dos Maristas não poderia executar o que era preciso. Deixou o Instituto e foi para Paris. Lá, em 1856, com a ajuda do arcebispo de Paris, fundou a Congregação dos Padres do Santíssimo Sacramento. E, depois de três anos, a Congregação das Irmãs de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento. Mais tarde, também fundou uma Ordem Terceira, em que leigos comprometem-se na adoração do Santíssimo Sacramento.

São Pedro Eymard percebendo a indiferença do povo para com Jesus Eucarístico e inspirado por Nossa Senhora concluiu: "É necessário tirar Cristo do sacrário, apresentá-lo ao povo como grande Senhor, Mestre, Salvador, vivo, real em nosso meio". Viajando toda a França, deixando vários escritos, abrangendo sacerdotes, religiosas e leigos na sua obra em honra ao Santíssimo Sacramento, São Pedro Julião tudo conseguiu por causa do auxílio da graça e têmpera diante dos inúmeros sofrimentos.

Durante estes anos de vida eucarística, vemos o Pe. Eymard empenhado em um apostolado que se dirige sobretudo aos pobres da periferia de Paris e aos sacerdotes em dificuldade; dedica-se à Obra da primeira comunhão de adultos e atende numerosos compromissos na pregação, centrada principalmente na Eucaristia.

Seus últimos anos de vida foram repletos de sofrimentos, ocasionados estes em boa parte por seus próprios religiosos que já não tinham confiança em seu Santo Fundador. Disse ele nessa penosa conjuntura: "Eis-me aqui, Senhor, no Jardim das Oliveiras; humilhai-me, despojai-me; dai-me a cruz, contanto que me deis também o vosso amor e a vossa graça".

A vida e a atividade de São Pedro Julião está centrada no mistério da sagrada Eucaristia. Ao princípio, entretanto, seu enfoque era tributário da teologia de seu tempo, insistindo sobre a presença real. Mas, chegará a livrar-se pouco a pouco do aspecto devocional e reparador que tingia de maneira quase exclusiva a piedade eucarística de sua época, e conseguirá fazer da Eucaristia o centro da vida da Igreja e da sociedade. «Nenhum outro centro se não de Jesus Eucarístico».

Ele foi um dos santos mais Eucaristicos da história da Igreja. Toda a sua espiritualidade e mística estavam centradas na Eucaristia. São Pedro Julião Eymard pôde com seus lábios e vida proclamar "para mim, viver é Cristo, e Cristo Sacramentado".

São Pedro Julião Eymard faleceu no dia 1º de agosto de 1868, aos 57 anos de idade.


PENSAMENTOS DE SÃO PEDRO JULIÃO EYMARD

"Dai-me a alegria de celebrar ao menos uma missa. Apenas uma e, depois, morrer!"

"Deus me chama hoje, amanhã seria muito tarde!"

"A Eucaristia é a suprema manifestação do amor de Jesus; depois dele nada há mais, senão o céu"

"Quando penetrou numa alma uma centelha eucarística, lançou-se no coração um germe divino de vida e de todas as virtudes, e que vale por assim dizer, por si mesmo".

"Prometi a Deus que nada me deteria, devesse eu embora comer pedras e acabar no hospital. E principalmente, pedi a Deus (e talvez fosse isto presunção de minha parte) trabalhar sem o menor conforto humano"

"Nós cremos no amor que Deus nos tem. Crer no amor é tudo aqui; não basta crer na verdade, é preciso crer no amor"

"A melhor preparação para a santa Comunhão é a que se faz em Maria"

"Salvar a minha alma é negócio pessoal. Não posso descansar em ninguém, nem com ninguém repartir o trabalho"

"Dar a uma pessoa a fé, a devoção para com Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento, equivale a dar-lhe o segredo e a chave da graça e de todas as demais virtudes"

"Uma boa hora de adoração diante do Santíssimo Sacramento produz maior bem do que todas as igrejas de mármore que possamos visitar ou todos os túmulos que possamos venerar"

"A sagrada Eucaristia é Jesus passado, presente e futuro... É Jesus feito sacramento. Bem-aventurada a alma que sabe encontrar Jesus na Eucaristia, e em Jesus Hóstia tudo"

"A Santa comunhão deve ser o fim de toda vida cristã: todo exercício que não se relaciona com a comunhão está fora de sua melhor finalidade"

"Convencido de que o sacrifício da Santa Missa e a comunhão ao corpo do Senhor são a fonte viva e o ápice de toda a religião, cada um tem o dever de orientar sua piedade, suas virtudes e seu amor de tal modo que se tornem meios que lhe permitam alcançar esse fim: a digna celebração e a recepção frutuosa destes divinos mistérios"

"Quem quiser perseverar que receba a nosso Senhor. É um pão que alimentará seus pobres, força, que o sustentará. E é a Igreja que o quer assim"

"Eu lhes digo que este alimento tomado com intervalos tão prolongados não é mais que um alimento extraordinário, mas onde está o alimento ordinário que deve me sustentar diariamente?"

"Quem não comunga não tem mais que uma ciência especulativa; não conhece nada a não ser palavras, teorias, das quais desconhece o sentido... A alma que comunga não tem primeiro uma idéia de Deus, mas agora o vê, reconhece-o na sagrada mesa"

"A fim de que a alma devota se fortaleça e cresça na vida de Jesus Cristo, tem necessidade de nutrir-se em primeiro lugar de sua verdade divina e da bondade de seu amor de tal modo que possa passar da luz ao amor, e do amor às virtudes"

"A Eucaristia é a vida dos povos. A Eucaristia lhes oferece um centro de vida. Todos podem encontrar-se sem barreira de raça nem de língua para a celebração das festas da Igreja"

"Quão feliz, mil vezes feliz, a alma fiel que encontrou este tesouro escondido, que vai beber neste manancial vivo, que come com freqüência este Pão de vida eterna!"

"O grande mal de nossa época é que não vamos a Jesus Cristo como a seu Salvador e a seu Deus. Abandona-se o único fundamento, a única fé, a única graça da salvação... Então o que fazer? Retornar à fonte da vida, mas não ao Jesus histórico ou ao Jesus glorificado no céu mas sim ao Jesus que está na Eucaristia. Temos que fazê-lo sair de seu esconderijo para que possa de novo colocar-se à cabeça da sociedade cristã... Que venha cada vez mais o reino da Eucaristia: Adveniat regnum tuum!"

Santo Afonso Maria de Ligório

Salve Maria,

Para a 13ª postagem da série trago agora - em homenagem a um grande amigo e pároco: Pe. Sérgio Reis de Lima, CSsR - uma breve história de um grande santo da Santa Igreja: Santo Afonso Maria de Ligório. Boa leitura.
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Santo Afonso Maria de Ligório
 
Santo Afonso Maria de Ligório nasceu em Marianella, no Reino de Nápoles, no dia 27 de Setembro de 1696. De rara inteligência, recebeu em 1712 o doutorado em direito civil e canônico. Não lhe faltaram temperamento e dons artísticos: poeta, músico, arquiteto, pintor.

Era o primogênito de uma família bastante numerosa, pertencente à nobreza napolitana. Recebeu uma esmerada educação em ciências humanas, línguas clássicas e modernas, pintura e música. Compôs um Dueto da Paixão, como também o cântico de Natal mais popular da Itália, Tu Scendi dalle Stelle, e numerosos outros hinos. Terminou os estudos universitários alcançando o doutorado nos direitos civil e canônico e começou a exercer a profissão de advogado. No ano 1723, depois de um longo processo de discernimento, abandonou a carreira jurídica e, não obstante a forte oposição do pai, começou os estudos eclesiásticos.

Foi ordenado presbítero a 21 de dezembro de 1726, aos 30 anos. Viveu seus primeiros anos de presbiterado com os sem-teto e os jovens marginalizados de Nápoles. Fundou as "Capelas da Tarde", que eram centros dirigidos pelos próprios jovens para a oração, proclamação da Palavra de Deus, atividades sociais, educação e vida comunitária. Na época da sua morte, havia 72 dessas capelas com mais de 10 mil participantes ativos.

No dia 9 de novembro de 1732, Afonso fundou a Congregação do Santíssimo Redentor, popularmente conhecida como Redentorista, para seguir o exemplo de Jesus Cristo anunciando a Boa Nova aos pobres e aos mais abandonados. Daí em diante, dedicou-se inteiramente a esta nova missão. Afonso escreveu diversas obras importantes para a Igreja sobre espiritualidade e teologia 111 obras, que tiveram 21.500 edições e foram traduzidas em 72 línguas. Mas, sua maior contribuição para a Igreja foi na área da reflexão teológica moral, com a sua Teologia Moral. Esta obra nasceu da experiência pastoral de Afonso, da sua habilidade em responder às questões práticas apresentadas pelos fiéis e do seu contato com os problemas do dia-a-dia. Combateu o estéril legalismo que estava sufocando a teologia e rejeitou o rigorismo estrito do seu tempo, produto da elite poderosa.

Em 1762, aos 66 anos foi ordenado bispo de Santa Ágata dos Godos.

No dia 1º de agosto de 1787, morreu entre os seus no Convento de Pagani.

Foi canonizado em 1831 pelo Papa Gregório XVI e declarado Doutor da Igreja (1871) e Padroeiro dos Moralistas e Confessores (1950).


A família de Ligório

Os Ligório residem em Nápoles. Dom José, capitão das Galeras Reais, muito religioso e temperamental. A mãe, dona Ana Cavalieri, destaca-se pela doçura. Os pais sonham um futuro para os filhos. Aqui, se sonha muito alto.

Nápoles é uma cidade do sul da Itália. No tempo dos Ligório, é uma colcha de retalhos, marcada por um colorido e uma diversidade muito grandes.

Os Ligório têm oito filhos. O mais velho, Afonso, ficou na história, aliás, bastante movimentada. Porque é o herdeiro, é cercado de todos os cuidados. Investe-se muito nele: estuda em casa, tendo os melhores professores. Seus talentos serão cultivados.

Devoto do Santíssimo Sacramento e da Santíssima Virgem Maria. Participa também do oratório de São Filipe Néri.

Aos 16 anos, doutor em direito civil e eclesiástico. Aos 18, começa a advogar. Serão oito anos sem perder uma causa sequer! Tudo vai bem, do jeito que pensa e sonha Dom José.

Os tribunais, que são a vida de Afonso e dos Ligório, estão indo otimamente. Surgiu, por´em,um processo entre duques, envolvendo grande soma em dinheiro. Devido à corrupção da Corte Judicial, Afonso perde a causa. Sonho acabado!

Afonso refugia-se em seu quarto. Por três dias reflete sobre o desastre, sem comer, sem se comover com as preocupações da mãe. Ao terceiro dia, os Ligório vêem um novo Afonso.

- "Mundo, agora te conheci! Adeus, tribunais! Não me vereis jamais!".

No Hospital dos Incuráveis, Deus o convoca para nova missão. Decidido, vai até a Igreja de Nossa Senhora das Mercês e ali deixa sua espada de cavaleiro.

Ao pai Afonso responde: "Os tribunais são uma página virada em minha vida". Afonso decide ser padre! O pai tenta tudo para demovê-lo da idéia. Em 21 de dezembro de 1726 Afonso é ordenado padre. Não será apenas mais um entre os dez mil que vivem em Nápoles. Será um padre que se destaca. Afonso tem 30 anos de idade.


A serviço dos pobres

Desde jovem Afonso dedica um carinho especial aos pobres. Participa de diversas confrarias, cuja finalidade era dar assistência aos necessitados. Ajuda, por exemplo:

- Os condenados à morte: Afonso inscreve-se na numa associação de voluntários que conforta na fé os condenados à morte, acompanha-os até o local da execução e faz os funerais.

- Os doentes incuráveis: Afonso pertenceu à Confraria dos Doutores, visitava e cuidava dos doentes do hospital conhecido como hospital dos incuráveis.

- Os "lazzaroni": Cerca de trinta mil, vivendo ao perambulando pelas ruas e dependendo da caridade alheia. Será seu grupo preferido em Nápoles. Para eles cria chamadas “capelas vespertinas”, uma das grandes iniciativas pastorais de seu século.

- Os pagãos: Afonso inscreve-se no Colégio dos Chineses que preparava missionários para a China. Sempre teve grande desejo de ir às missões estrangeiras.


No descanso descobre um ideal

Afonso, depois de muitos trabalhos apostólicos, fica doente. O médico recomenda descanso. Parte então para Amalfi, com alguns amigos. - Por que não ir para Santa Maria dos Montes, logo acima de Scala? Estamos em 1730. Santa Maria dos Montes é lugar de pastores de cabras. Gente rude, pobre, fora da sociedade e da Igreja. Aproximam-se do grupo e começa a evangelizá-los. O descanso vira missão!

Visita o bispo de Scala, que o convida para pregar na catedral. A uns 200 metros, religiosas de um mosteiro suplicam que reparta com elas o Pão da Palavra.

É preciso voltar para Nápoles. O descanso acabou. Afonso, porém, volta diferente. Lá nas montanhas estão os cabreiros a esperar... Deixou ali seu coração e uma preocupação o persegue: quem irá evangelizar esse povo? Vendo sua necessidade, rezava, pedindo a Deus que suscitasse alguém para servi-los.


Um novo chamado

Em Scala, uma freira chamada Maria Celeste Crostarrosa tem uma missão: Afonso deveria juntar um grupo de missionários para a pregação.

Afonso assusta-se. - Seria verdade ou ilusão? Inicia-se um longo processo de discernimento. Seu diretor espiritual aconselha não dar muito crédito e continuar sua vida de missionário. E ele parte em missões com alguns companheiros.

Voltando a Nápoles, seu diretor espiritual anuncia-lhe: a obra é de Deus! Consulta outros homens sábios e prudentes É preciso partir! "Fazendo a Jesus Cristo um sacrifício de Nápoles, ele se oferece para viver o resto de sua vida nas estrebarias, nas choças, na cabanas e morrer cercado pelos pastores”.

Sofre a resistência dos pais, a zombaria de muitos. Nápoles não queria perdê-lo. Era precioso demais para a evangelização dos pobres. – E Nápoles não tem pobres?!

Afonso venceu a tentação e deixou Nápoles. Os cabreiros de Scala sorriam.

Adeus, Nápoles

Dois de novembro de 1732. Afonso deixa tudo para seguir o chamado-provocação de Deus.

Com mais dois companheiros, montando um burrico, deixa a cidade, os amigos, a fama e o sucesso garantido. Troca de grupo, abraçando o grupo dos cabreiros de Scala. "O Espírito do Senhor está sobre mim. Ele me ungiu e me enviou para proclamar a Boa Nova aos Pobres". . .

Enfim, Scala. Começa o tempo bonito de consolidar uma opção. Reuniões, orações sobre o novo projeto, a missão que agora se inicia. A fundação oficial do novo grupo de evangelizadores dos pobres será no dia 9 de novembro de 1732.

Serão os congregados do Santíssimo Salvador. Adotam um escudo: sobre três montes, a cruz; esponja e lança, sinais da paixão. Os monogramas de Jesus e Maria. E a senha de identificação: "Copiosa Apud Eum Redemptio"— "Junto Dele a Redenção é abundante".


Evangelização os pobres

Um novo grupo de evangelizadores dos abandonados? - Para quê? Nápoles já tinha tantas congregações. Afonso também fizera para si mesmo todas essas perguntas. Mas havia os que ninguém abraçava, porque eram pobres, grosseiros, que só entendiam de cabras. Gente que não dava retorno algum. Só incômodo, despesas e sacrifício. Por isso, viviam abandonados. E o grupo dos congregados do Santíssimo Redentor era para eles.

Uma característica do grupo: não morar fora e longe dos abandonados . As residências do grupo não serão em Nápoles, mas o mais próximo possível dos pobres. Assim o grupo poderá girar mais facilmente entre eles e eles poderão participar mais da vida dos missionários. Irão às suas Igrejas, reunir-se-ão em suas casas para os exercícios espirituais... Não apenas pregam missões: a comunidade, a casa, tudo é missão e missão contínua. Assim os redentoristas, como serão chamados mais tarde, continuam Jesus Redentor que armou sua tenda no meio de nós.


Sinal de contradição

Afonso foi sinal de contradição. Em primeiro lugar, para a Igreja da época, que deixava no abandono os pobres dos campos.

Diante de uma mentalidade rigorista, que punha a lei e o pecado em primeiro lugar, Afonso apresenta o amor e a misericórdia. Deus nos ama: eis o anúncio predileto de toda a vida de Afonso.

Faz da pastoral, e principalmente da moral, a moral do amor de Deus que se transforma em misericórdia. Afonso convida a uma resposta de amor: diante do amor tão grande de Deus, nós somos levados a amá-lo também.

O amor misericordioso de Deus revela-se de modo especial no sacramento da Reconciliação. Esse sacramento será marcante em sua vida. É o homem da escuta aberta, amiga, amorosa. O homem da reconciliação.

Ele dizia que o confessor deve ser "rico de amor e suave como o mel". Em 1950, o Papa Pio XII o declarava padroeiro dos confessores e dos moralistas. Até hoje os redentoristas têm na Igreja essa missão: anunciar que em primeiro lugar vem o amor e a misericórdia.


Grande escritor

Afonso foi um hábil escritor. Deixou mais de cem obras para ajudar o povo cristão. Em sua época havia uma mentalidade rigorista e muitos pregavam uma religião elitista, sem lugar para o sentimento e a devoção popular. Afonso vai contra a corrente e quer mostrar o rosto verdadeiro de Deus. Por isso escreve e coloca seus livros nas mãos do povo.

Para os sacerdotes escreveu sua Teologia Moral, inaugurando um novo método de fazer moral: a moral do amor e da misericórdia.

Mostrou ao povo a beleza de Maria, em seu livro "Glórias de Maria". Deixou-nos o livro “Prática de Amar a Jesus Cristo", as “Visitas ao Santíssimo Sacramento”.

Célebre sua frase: "Quem reza se salva, quem não reza se condena!"

Escreveu sobre os mistérios de Cristo, sobre sua encarnação, paixão-morte.

Escreveu para as religiosas, para os leigos…

Afonso colocou todos os seus dons a serviço da evangelização dos empobrecidos.

Revela-nos uma vida totalmente consagrada a uma missão. Formou a consciência religiosa de sua época. É considerado o melhor prosador religioso do século XVIII na Itália.


Bispo renovador

Em 1762, com 66 anos, Afonso é nomeado bispo. De novo era preciso partir, desta vez para outra insignificante cidadezinha, Santa Ágata dei Goti. De nada valera apelar para a saúde abalada: "Dom Ligório de sua cama governa melhor a diocese que muitos bispos jovens e com saúde".

Em Santa Ágata dei Goti, por treze anos mostrou zelo invejável. Renovou o seminário; organizou Missões Gerais para a diocese; aprofundou a formação do clero. Envolveu todo o povo na solidariedade e no cuidado dos pobres.

Em 1775, deixa a diocese e retorna para sua congregação. Continuou na sua vida fecunda de oração, orientação e publicações.

Em 1 de agosto de 1787, com noventa e um anos, falece, rodeado de seus co-irmãos, redentores dos empobrecidos. Eram doze horas.

Afonso partia, mas deixava consolidada a grande obra de Deus, a Congregação do Santíssimo Redentor, que na época contava com cento e oitenta e três religiosos.
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Fonte: Wikipédia

Giovanni Melchior Bosco

Salve Maria,

Para a 12ª postagem da série trago agora - em homenagem a um grande amigo: Messias Lira Ramires (grande devoto de Dom Bosco) - uma breve história de um dos maiores santos da Santa Igreja: Dom Bosco. Boa leitura.
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Giovanni Melchior Bosco
(16 de agosto de 1815 / + 31 de janeiro de 1888)

Nasceu em agosto de 1815 em Becchi, distrito de Castelnuovo d'Asti (hoje Castelnuovo Don Bosco), numa família de camponeses pobres. Aos dois anos ficou órfão de pai.

Sua mãe Margarida criou-o com ternura e energia. Ensinou-lhe a trabalhar a terra e a descobrir Deus na beleza do céu, na abundência da colheita, na tempestade que dizimava as vinhas.

Misterioso sonho marcou-lhe a vida, aos nove anos.

Os anos que se seguiram foram orientados por esse sonho. Mãe e filho viram nele a indicação de um caminho. Margarida suportou humilhações e canseiras incríveis para que seu filho chegasse a ser padre.

Bom Bosco foi para Turim em 1841, neo-sacerdote de 26 anos. Seu diretor espiritual, o Pe. José Cafasso, deu-lhe um conselho: "Vá, olhe ao seu redor". Dessa maneira o jovem sacerdote entrou em contato com a miséria humana. Ficou abalado. Os subúrbios eram zonas de agitação, revolta e desolação. Muitos jovens vagabundavam pelas ruas, desocupados, abatidos, dispostos a tudo.

A impressão mais penosa foi a das prisões. Ao sair, havia decidido: "Devo impedir a todo o custo que rapazes tão jovens venham acabar aqui dentro".

Vários sacerdotes ficavam a esperar nas Igrejas e sacristias os jovens emigrados para os tradicionais catecismos. Era preciso experimentar novas formas de apostolado, um apostolado volante, nos bares, oficinas, mercados, tabernas e praças. Muitos padres jovens tentavam. Bom Bosco também.

Entrou em contato com o primeiro rapaz emigrado, Bartolomeu Garelli, de Asti, em 8 de dezembro de 1841. Três dias depois já eram nove com ele, três meses depois, vinte e cinco, no verão de 1842, oitenta. Assim nasceu o Oratório.

Alguns desses jovens, porém, não sabiam onde dormir, a não ser nos miseráveis dormitórios públicos. Recolher jovens sem casa em tempo inegral torna-se problema fundamental para Dom Bosco.

Sua primeira benfeitora não é uma condessa, mas sua mãe. Margarida, pobre camponesa analfabeta de 59 anos, deixa sua casa no campo e vem trabalhar como cozinheira e lavadeira dos molecotes.

Entre os jovens que consideravam Dom Bosco como pai e mestre, alguns pedem-lhe para "ser como ele". Assim nasce a Congregação Salesiana, com o nome de Sociedade São Francisco de Sales.

No outono de 1853, começavam a funcionar em Valdocco as primeiras oficinas, nas quais o próprio Dom Bosco ensinava.

26 de janeiro de 1854: nasce oficialmente a Congregação Salesiana.

30 de julho de 1860: o primeiro "menino de Dom Bosco", Miguel Rua, ordena-se padre. No fim da vida, Dom Bosco poderá dizer que quase três mil padres saíram das fileiras de seus jovens.

Março de 1864: coloca-se a primeira pedra do Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora em Valdocco. Oito anos depois, Dom Bosco começa outro "santuário" de Nossa Senhora: a Congregação das Filhas de Maria Auxiliadora.

Novembro de 1875: partem os primeiros dez salesianos para a América do Sul. No mesmo ano nascem os "Cooperadores", na terceira família salesiana.

Antes de morrer, Dom Bosco dirá aos seus Cooperadores: "Sem a vossa caridade eu não poderia ter feito nada; coma vossa caridade enxugamos muitas lágrimas e salvamos muitas almas".

Mas a maior obra que Dom Bosco deixa para a Igreja é o seu "sistema de educar os jovens". A quem lhe perguntava onde estava o segredo daquela maneira de "estar entre os jovens" que transformava grandes casas em "famílias" onde todos se queriam bem, respondia que tudo consistia em três palavras: razão, religião, bondade. Quando não se ameaça mas se conversa, quando Deus é o "dono de casa", quando não existe medo mas nos queremos bem, então é que nasce a família.

Dom Bosco morreu na aurora do dia 31 de janeiro de 1888. Aos salesianos que velavam ao redor do seu leito, murmurou nos derradeiros momentos: "Queiram-se bem como irmãos. Façam o bem a todos, o mal a ninguém... Digam aos meus meninos que os espero a todos no céu".

São João Bosco - rogai por nós!
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Fonte: "folheto" que ganhei de minha mãe.

Completas

Salve Maria,


Para a 11ª postagem da série trago agora, a "Oração da Noite - Completas"; que está contida na pg. 202 do Apêndice do Missal Quotidiano, editado e impresso no dia 13 de junho de 1957 pela Tipografia Beneditina Ltda., Salvador - Bahia.

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Nosso Senhor, instituiu tanto sobre a oportunidade, digamos mesmo, sobre a necessidade de orar, que nenhum Cristão se pode furtar à regra de rezar à miúdo. Ora, não existe momento mais propício do que o princípio e o fim do dia, para agradecer a Deus, implorar a sua graça e pedir perdão pelas culpas cometidas. O Pai nosso, a Ave Maria e o Creio em Deus Pai, podem, em rigor, satisfazer a prática desse conselho. É recomendável acrescentar os Dez Mandamentos da Lei de Deus e os Cinco Mandamentos da Igreja. Muitos se contentam em se recomendar a nossa boa Mãe do céu, Nossa Senhora, rezando três Ave Marias; e merece, esta prática, todos os louvores. Damos abaixo orações, extraídas do Ofício de Completas, a oração antes do repouso da noite. A fim deste Ofício é o exame de consciência, o ato de contrição, e a encomendação a Deus e aos Santos.

V.: Conceda-nos o Senhor onipotente uma noite tranqüila e um termo feliz!
R.: Amém.

Exorta-nos o Apóstolo S. Pedro:

Irmãos: Sede sóbrios e vigiai, porque o vosso adversário, o demônio, como um leão a rugir, anda ao redor de vós, buscando a quem devorar. Resisti-lhe, firmes na fé. Vós, Senhor, tende piedade de nós.
R.: Demos graças a Deus.
V.: Nosso socorro está no Nome do Senhor.
R.: Que fez o céu e a terra.

Uma pequena pausa para examinar a consciência sobre:
1. Deveres para com Deus: Omissões ou negligências nos atos de piedade; irreverências na igreja; distrações voluntárias nas orações; resistência à graça; juramentos; murmurações; falta de confiança e resignação.
2. Para com o próximo: Juízos temerários; desprezo; ódio; inveja; desejo de vingança; disputa; injúrias; dano nos bens ou na reputação alheia; mau exemplo; escândalo; falta de obediência, de respeito, de caridade.
3. Para consigo mesmo: Vaidade; respeito humano; mentiras, pensamentos, desejos, palavras e ações contrárias à pureza, intemperança; cólera; impaciência; vida inútil e sensual; preguiça de cumprir os deveres do próprio estado.


Confissão
Eu, pecador, me confesso a Deus Todo-poderoso, à Bem-aventurada sempre Virgem Maria, ao bem-aventurado S. Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado S. João Batista, aos santos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo, e a todos os Santos, que pequei muitas vezes, por pensamentos, palavras e obras, por minha culpa, minha culpa, minha tão grande culpa. Portanto rogo à Bem-aventurada sempre Virgem Maria, ao bem-aventurado S. Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado S. João Batista, aos santos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo e a todos os santos que roguem a Deus Nosso Senhor por mim.
V.: Deus onipotente se compadeça de nós, e, perdoados os nossos pecados, nos conduza à vida eterna.
R.: Amém.
V.: Indulgência, absolvição e remissão dos nossos pecados, conceda-nos o Senhor, onipotente e misericordioso.
R.: Amém.
V.: Convertei-nos, ó Deus, que sois a nossa salvação.
R.: Afastai a vossa ira de nós.
V.: Ó Deus, vinde em meu auxílio.
R.: Senhor, apressai-vos em me socorrer.
V.: Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo.
R.: Assim como era no princípio, agora e para sempre.

Antífona
Salvai-nos, Senhor, enquanto estamos acordados e guardai-nos durante o sono, a gim de que vigiemos com o Cristo e descansemos em paz.

Cântico: Nunc dimittis
Agora, Senhor, despedi em paz o vosso servo, segundo a vossa palavra.
Porque os meus olhos viram a salvação que nos destes. Que preparaste, diante de todos os povos.
Luz para esclarecer as nações, e para glória de Israel, vosso povo.
Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo.
Assim como era no princípio, agora e para sempre.

Antífona
Salvai-nos, Senhor, enquanto estamos acordados e guardai-nos durante o sono, a gim de que vigiemos com o Cristo e descansemos em paz.

Hino
Antes que a luz desapareça, nós vos suplicamos, Criador de todas as coisas, que sejais, por vossa clemência, nosso protetor e nosso guarda.
Longe de nós os sonhos e os fantasmas da noite! Reprimi o nosso inimigo, a fim de que nada manche os nossos corpos.
Concedei-nos esta graça, ó Pai misericordioso, e Vós, ó Filho Unigênito, que reinais com o Espírito consolador, por todos os séculos. Amém.

Capítulo
Vós, Senhor, estais conosco, e foi invocado o vosso santo Nome em nosso favor; não nos abandoneis, ó Senhor, nosso Deus.
R.: Demos graças a Deus.

V.: Guardai-nos, Senhor, como a pupila dos olhos.
R.: Protegei-nos, à sombra de vossas asas.
V.: Senhor, tende piedade de nós.
R.: Cristo, tende piedade de nós.
R.: Senhor, tende piedade de nós.
V.: Pai nosso (em voz baixa).
V.: E não nos deixeis cair em tentação.
R.: Mas livrai-nos do mal.
V.: Senhor, ouvi a minha oração.
R.: E chegue a Vós o meu clamor.

Oremos
Visitai, Senhor, nós Vos suplicamos, esta habitação e afastai para longe dela todas as ciladas do inimigo; nela habitem os vossos santos Anjos, para nos conservar em paz, e vossa bênção sempre nos proteja. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo.
R.: Amém.
V.: Senhor, ouvi a minha oração.
R.: E chegue até Vós o meu clamor.
V.: Bendigamos ao Senhor.
R.: Demos graças a Deus.

Bênção
O Senhor onipotente e misericordioso, Pai, Filho e Espírito Santo, nos abençoe e nos guarde. Amém.

Para terminar, em honra de Nossa Senhora, diz-se a:

Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós, bradamos, os degredados filhos de Eva; a vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei; e depois deste desterro nos mostrai Jesus, bendito fruto de vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria.
V.: Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R.: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos
Infundi, Senhor, em nossas almas a vossa graça, para que nós, que conhecemos pela anunciação do Anjo e Encarnação de Jesus Cristo, vosso Filho, cheguemos por sua Paixão e Crus, à glória da Ressurreição. Pelo mesmo Jesus Cristo, Senhor nosso.
R.: Amém.

Durante o Tempo Pascal, em lugar da Salve Rainha, reza-se o Regina Caeli.